Em três meses, Defesa Civil enviou 113 alertas severos para o estado de SP; veja critérios e outras dúvidas frequentes


Segundo tenente, o alerta severo dá uma margem de 40 minutos a 1 hora para que as pessoas deixem as áreas de risco e busquem abrigo. Celulares mais antigos, anteriores a 2020, por exemplo, podem não receber as notificações. Alerta da Defesa Civil recebido pelos moradores.
Hermínio Bernardo/ TV Globo
A Defesa Civil de São Paulo disparou 113 alertas de risco severo para desastres no território paulista somente no primeiro trimestre deste ano, sendo que 22 foram concentrados na capital, segundo dados do próprio órgão.
Devido à frequência dos envios, uma parte da população começou a questionar a precisão da ferramenta. Por isso, o g1 foi atrás de esclarecer as principais dúvidas a respeito do assunto, como quais são os critérios e parâmetros utilizados para a emissão do alerta.
SMS x Cell Broadcast: os tipos de alerta da Defesa Civil
O que significam os alertas severos?
O que determina quando eles devem ser enviados?
Por que algumas pessoas não recebem os alertas?
O que fazer após receber um alerta?
SMS x Cell Broadcast
O envio de alertas por mensagem de texto é um mecanismo utilizado há anos pela Defesa Civil de São Paulo, mas que já se mostrou ineficaz diante de situações de emergência, como a tragédia ocorrida no Litoral Norte do estado, em janeiro de 2023.
Para receber as notificações, é preciso estar cadastrado e indicar um CEP de interesse. No caso mencionado, foram disparadas 34 mil mensagens para uma população de 288 mil habitantes — ou seja, apenas 12% dos moradores foram alertados sobre os altos volumes de chuva esperados e o risco de deslizamentos.
Em alguns locais, os SMS nem chegaram aos moradores, que já estavam sem sinal de telefonia ou internet quando as mensagens foram enviadas.
Foi nesse contexto que o sistema Cell Broadcast foi adotado. Com ele, a Defesa Civil pode disparar alertas para celulares que estejam dentro de áreas com risco de alagamentos, enxurradas, enchentes, deslizamentos de terra e vendavais.
O sistema faz com que o alerta “salte” na tela, sobrepondo qualquer atividade que esteja em execução no aparelho. Nos casos mais extremos, os celulares podem emitir sinais sonoros, mesmo que estejam no modo silencioso.
O mecanismo foi desenvolvido pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em parceria com as operadoras de telefonia e as defesas civis estaduais. A ferramenta entrou em fase de testes no segundo semestre de 2024, em cidades do Sul e Sudeste brasileiro, sendo oficialmente lançada em todo o território nacional em 4 de dezembro.
No estado de São Paulo, o primeiro alerta disparado via broadcast ocorreu em 25 de dezembro, no Natal, quando a cidade de Campinas registrou altos volumes de chuva.
O que significam os alertas severos?
Segundo a Defesa Civil de São Paulo, o alerta severo não se trata de uma previsão do tempo, mas de um alerta emergencial. Ele indica que é preciso tomar medidas rápidas para se proteger de prováveis desastres.
“A gente manda ele, alertando assim ‘olha, onde você tá, a gente sabe que tá chovendo, mas a chuva vai piorar muito, sai daí’. Por isso, a gente fala ‘procure um local seguro, é a abandone uma área de risco’, porque em termos de algumas horas a rua pode alagar”, explicou o tenente Maxwel Souza.
De acordo com o tenente, a Defesa Civil paulista órgão se baseia em parâmetros do Centro Nacional de Gerenciamento de Risco e Desastres (Cenad) para determinar a gravidade do cenário enfrentado.
Se os radares indicarem que a chuva que cai naquela região podem chegar a 50 mm em 1 hora, nós então disparamos (o alerta). Às vezes a gente dispara e a chuva dissipa, aí termina com 20, 25 milímetros, mas tudo bem, porque aquilo é uma prevenção
Em casos mais graves, quando há ameaça iminente à vida, podem ser disparados os chamados “alertas extremos”.
O que determina quando eles devem ser enviados?
Quando a chuva aumenta de intensidade, entrando num grau “severo”, os meteorologistas da Defesa Civil e os analistas do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) se reúnem rapidamente para discutir a necessidade do envio de alerta via sistema cell broadcast.
Se a chuva está com uma severidade de tal modo que possa gerar alagamentos, quedas de árvores ou deslizamentos de terra, então a gente compreende que esta informação precisa ser de conhecimento de todos, cadastrados e não cadastrados, porque a gente considera que há pessoas flutuantes passando por aquela região, que não moram ou trabalham ali, mas que estão sujeitas aos transtornos que a chuva vai causar
➡️ Chuva de nível “moderada” a “forte” = envio de SMS pelo número 40199;
➡️ Intensidade “severa” a “extrema” = disparo de alerta pelo cell broadcast.
Por que algumas pessoas não recebem os alertas?
Apesar de ser um avanço em relação aos SMS, os alertas via cell broadcast ainda possuem restrições de ordem tecnológicas.
📱 Modelo do celular
Para serem compatíveis com o sistema de envio de alertas, os aparelhos celulares precisam suportar as tecnologias 4G ou 5G. Portanto, celulares mais antigos, anteriores a 2020, por exemplo, podem não receber as notificações.
📶 Sinais de telefonia e internet
No momento do disparo dos alertas, os aparelhos devem estar conectados à rede móvel 4G ou 5G.
Contudo, na região da Grande São Paulo ainda é comum a existência das chamadas “áreas de sombra”, onde não há cobertura de todas as operadoras de telefonia.
Nesses casos, se uma pessoa com chip da operadora “a” estiver com sinal, enquanto um cliente da operadora “b” estiver sem, somente a pessoa que está conectada receberá o alerta.
✅ Autorização
Caso o modelo do celular seja compatível, para verificar se ele está habilitado a receber esse tipo de alerta, basta seguir os passos abaixo.
iOS: ajustes ➡ notificações ➡ alerta de governo;
Android: configurações ➡ segurança e emergência ➡ alertas de emergência sem fio.
O que fazer após receber um alerta?
Segundo o tenente Maxwel, o alerta severo dá uma margem de 40 minutos a 1 hora para que as pessoas deixem as áreas de risco e busquem abrigo. Dessa forma, um indivíduo que está transitando numa rua que costuma alagar, por exemplo, pode tomas as medidas necessárias para sair da via antes que ela seja tomada pela água.
Chega uma mensagem no meu celular dizendo que para que eu procure um local seguro porque vai alagar, eu olho para a rua e vejo uma lâmina d’água se formando — qual é o comportamento que eu preciso ter? De autoproteção! Eu preciso sair dali antes que piore, não haverá tempo para os órgãos de resposta chegarem para me salvar. É muito similar ao que acontece num terremoto
Para Maxwel, a eficácia do sistema broadcast também depende de uma mudança de comportamento da população, que não deve ignorar os alertas, mas tomá-lo como uma oportunidade de tomar atitudes para preservação da vida.
DICA:
Se uma pessoa estiver em um congestionamento, começar a chover forte e ela receber o alerta severo, a Defesa Civil orienta que o veículo seja evacuado. A partir do momento em que a água já está na altura da metade da roda, sair do carro já se torna inviável, uma vez que a pessoa pode ser levada pela correnteza. Nesse caso, segundo o tenente, o ideal é deixar o veículo pela janela e ficar no teto, se segurando, até que um bote de resgate apareça.
‘Alerta severo de chuva’: por que alguns celulares não recebem os avisos da Defesa Civil
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